domingo, 1 de março de 2009

O dilema

Que vida caminha sem o seu dilema
Enquanto uma existência poética encena
Que cria um mundo em torno de sua expectativa
Não pior que o bêbado e sua bebida
Dorme nas ruas pensando na razão
E contempla um eterno sem imensidão
De todos os fatos constrói um labirinto
Mas por dentro seu coração permanece sucinto
Sem a beleza de um ponto de interrogação
Que devolve ao filósofo um pouco de diversão
Que volta ao seu asilo destruído
Senta-se e tenta apagar o infinito
Escrevendo com poeira o que diz-lhe o coração
Pois não seria um dilema se fosse dito pela razão

Criança

Em meio ao sangue a pureza morta
A tanta violência não podia ser exposta
Mas o mundo mostra mais do que queremos ver
E vivemos mais do que merecíamos sofrer

O mundo chora uma criança falecida
Mas não luta contra a violência vivida
Sonha com um estado de paz
Mas a corrupção alimenta cada vez mais

E muitas outras estão para morrer
Se não mudar esse jeito de ser
Que de tudo e todos tem medo
Abandona ao fracasso seu grande desejo

Aos pais agora não adianta chorar
Suas crianças não vão mais brincar
Talvez vocês desejem apenas rezar
Para que a mesma bala os possa encontrar

O pecado

As virtudes invividas do paraíso
Todas privadas de uma boca e um sorriso
Que mostrou sua beleza o seio da morte
E como todo pecador tentou ler sua sorte

Um descanso que gostaria de ser eterno
Mas o pecado o conquista por ser belo
O deixa a margem de sua desgraça
Seus desejos como papel ele amassa
E faz da vida um jogo incerto

Embriagou-se numa taça de sinceridade
Em seu coma tentou apagar a verdade
Que todas as belas confissões escritas
Apenas por anjos caídos foram lidas

Assim consumiu-se em seu pecado
De todas as virtudes de que foi privado
Desejou ser caído para ser chamado de anjo
Visitou terras estranhas sendo um estranho
Mas nunca encontrou seu verdadeiro diabo

Que atendia pelo nome de...

O pesadelo

Acorda nas noites em profundo desespero
Acreditando que tudo não passou de um pesadelo
Mas as imagens que tua alma tanto destrói
Ainda existem e teu cérebro corrói

Respira um segundo achando que tudo já passou
Mas ainda dorme do teu lado a desgraça que o diabo deixou
Tua dor que a bebida as poucos esfria
Aquece com o sol de um novo dia

Os nomes escondidos nunca foram lidos
E muito cedo se tornaram proscritos
A solidão, esta amante fogosa
Por quem o poeta se torna bandido
É a única a te dar prazer na noite da derrota

Não fale de sonhos em que vê perdê-lo
Pois nos retratos onde nunca viu tanta feiúra
Da para enxergar uma sombra não obscura
Que cuida de tuas doenças com muito zelo
Escrevendo-te versos que só se lêem num pesadelo

O mundo

Como é estranho o girar desse mundo
Com todos os seus destinos e sonhos imundos
Visite o prostíbulo mais fétido
E encontrará mais um sonhador patético

Não pense ser filosófico
O mundo já é de mais diabólico
Tente imaginar que todos têm uma razão
Enquanto dorme com gente que não serve para limpar o chão

Também não pense que isso é aleatório
Pois tem sentido um cantar ilusório
Que fala de um sentimento profundo
Traído por um amante mudo

A melhor esposa é a verdade
Quando lhe trai não deixa saudade
Como é estranho o girar desse mundo
Com todos os seus sonhos e destinos imundos